terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Jesus Cristo, Fim Último da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria


A Verdadeira Devoção a Nossa Senhora é edificada por verdades fundamentais, ou seja, princípios básicos estruturados por São Luis Maria Grignion de Montfort para que entendamos a essência da Consagração.
O primeiro princípio é justamente aquele que nos mostra Jesus Cristo como Fim Último, princípio e fim de todas as coisas, onde habita toda a plenitude da Divindade, e todas as outras plenitudes de graça, virtude e perfeição.
De fato, Deus não constituiu outro fundamento para a nossa salvação, perfeição e glória senão Jesus Cristo, portanto, todo edifício que não estiver erguido sobre esta pedra firme está construído sobre areia movediça e, mais cedo ou mais tarde, acabará, infalivelmente, por cair (cf. TVD, art. 61). “Fora de Jesus Cristo tudo é extravio, mentira, iniquidade, inutilidade, morte e condenação”, nos afirma Montfort.
Agora, paremos um pouco. Reflitamos sobre a seguinte questão: Poderia a Mãe do Salvador, Aquela que foi escolhida por Deus Pai para gerar, nutrir, cuidar, educar e formar o próprio Deus feito homem, nos levar a outro fim, senão ao Seu Amadíssimo Filho? Poderia Maria Santíssima, Sacrário Vivo de Deus, Esposa Fidelíssima do Espírito Santo, nos conduzir a outro caminho que não fosse o da salvação e perfeição em Cristo Jesus?
A essas indagações São Luis Maria G. de Montfort, responde dizendo que se a Devoção à Santíssima Virgem nos afastasse de Jesus Cristo, deveríamos repeli-la como uma ilusão do demônio. Mas, muito pelo contrário, esta Devoção é-nos indispensável para encontrar perfeitamente Jesus Cristo, para amá-lO ternamente e servir com fidelidade (cf. TVD, art. 62).
De acordo com esse grande apóstolo da Virgem Maria e da Cruz, Jesus está sempre com Maria Ss., e Ela está sempre com Jesus, pois se não estivesse deixaria Ela de ser o que é. Para que tenhamos um melhor entendimento dessa verdade, acompanhemos as próprias palavras de Montfort a Jesus:

 “Maria está de tal modo transformada em Vós pela graça que já não vive, já nem existe: Só Vós, meu Jesus, é que viveis e reinais n’Ela, mais perfeitamente que em todos os anjos e bem-aventurados”(TVD, art. 63).

Diante de tantos motivos apresentados por este santo, torna-se realmente inconcebível que tenha a Virgem Santíssima um lugar tão discreto, frio e desprezado nos corações dos Seus próprios filhos, confiados a Ela pelo próprio Senhor no ápice de Sua Paixão Redentora, ao dizer: “Mulher, eis aí teu filho” e ao discípulo que amava: “Eis aí tua mãe” (cf. Jo 19, 26-27).
          É, portanto, de se espantar que muitos dos cristãos desprezem a Mãe do Senhor (cf. Lc 1, 43) e ainda, tenham medo de aproximarem-se dessa Benigníssima Virgem, pensando que assim irão desagradar a Jesus, Filho de Deus e de Maria Ss.. Quanto a essas pessoas, Montfort pergunta: “Ó meu amável Jesus, terão estas pessoas o Vosso espírito? Dão-Vos gosto procedendo deste modo? Por acaso, a Devoção à Vossa Santa Mãe impedirá a Vossa? Forma Ela um partido à parte? Separa-se ou afastasse do Vosso Amor que a Ela se dá e ama?”.
           Podemos então nos unir a Montfort e suspirar: “Ah! Se os homens conhecessem a glória e o amor que recebeis desta admirável criatura, teriam sobre Vós e sobre Ela sentimentos muito diferentes dos que têm!”.
           Ninguém pode amar mais um filho do que sua mãe. A mãe ama desinteressadamente e de forma plena, pois foi quem gerou e trouxe à vida aquele novo ser. Assim, a Virgem Maria, a melhor de todas as mães, ama o Seu Filho e o Seu Deus como jamais criatura alguma poderá amar, e está tão unida a Ele, que a razão não pode compreender. Isso porque a comunhão que existe entre esses preciosos Tesouros do Altíssimo não se limita à comunhão humana, existindo, sobretudo uma comunhão de corações, uma comunhão espiritual: “Ela Vos está tão intimamente unida que seria mais fácil separar de Vós todos os anjos e santos, do que Maria Santíssima. Ela Vos ama, pois, mais ardentemente e Vos glorifica mais perfeitamente que todas as outras criaturas juntas” (TVD, art. 63).
         Por isso, não hesitemos em ir à Maria Santíssima, demorando-nos por demais em nossos escrúpulos, ao contrário sejamos humildes, mansos e amorosos para com a Mãe do Senhor e também a nossa Mãe e Senhora. Reconheçamos a nossa pequenez e indignidade, e aceitemos do Salvador o consolo que nos foi dado no alto da Cruz, a Sua Mãe Santíssima.

CONSAGRA-TE!

Referências:

MONTFORT, São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2002.


 
 
Maria Cristina é membro aliança nível 2, casada e mora no Condomínio Mãe de Deus.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Maria Santíssima: Mãe e formadora dos Apóstolos dos Últimos Tempos

Geração de Apóstolos de Maria, levantai-vos! Chegou à hora de mostrardes ao mundo vosso ideal e vossa chama! Levantai-vos e hasteai a bandeira azul das glórias de Maria no alto, bem no alto de vossos sentimentos! Há mais de dois séculos que Montfort anunciou vossa chegada! (LOMBAERDE, 1961). Mas, quem são esses apóstolos tão esperados? Quem são esses admiráveis homens e mulheres que hão de hastear o digníssimo estandarte da Mãe de Deus sobre o mundo?
De fato, como nos fala Pe. Júlio Maria Lombaerde, os Apóstolos da Virgem Maria, foram profetizados há séculos pelo grande apóstolo de Maria Ss. e da Cruz, São Luís Maria Grignion de Montfort. Segundo Montfort, Deus quer revelar e manifestar a obra-prima de Suas mãos, Maria Ss., nesses derradeiros tempos e serão os servos, escravos e filhos da Grande Mãe de Deus, essa nova geração de santos.  
 Esses homens e mulheres predestinados serão aqueles que entrarem, com a graça e a luz do Espírito Santo, na prática interior e perfeita de Devoção a Santíssima Virgem. São chamados a serem grandes santos, verdadeiros Apóstolos dos Últimos Tempos, que como explica Montfort, “ultrapassarão tanto em santidade a maior parte dos outros santos, quanto dos cedros do Líbano excedem os arbustozinhos (Cf. TVD, art. 47); Conhecerão as grandezas desta soberana e devotar-se-ão inteiramente ao seu serviço, como Seus súditos e Seus escravos de amor; Experimentarão as Suas doçuras e bondades maternais, e amar-lhe-ão ternamente, como Seus filhos muito queridos” (Cf. TVD, art. 55).
         De acordo com Pe. Júlio Maria Lombaerde os Apóstolos dos Últimos Tempos serão reconhecidos pela sua fisionomia, essa foi descrita por Montfort em sua profecia. O primeiro traço: “serão flechas e fogo nas mãos da Virgem Mãe de Deus”, flechas pelo zelo e fogo pelo amor; instrumentos dóceis nas mãos de Maria Ss., Aquela a quem Deus Pai concedeu a habilidade de atingirmos o Alvo, Jesus Cristo Nosso Senhor.
        O segundo traço da fisionomia dos Apóstolos dos Últimos Tempos diz respeito à sua submissão a provas e a união a Deus; Serão identificados pela humildade e mortificação, “serão pequenos e pobres aos olhos do mundo [...], grandes e de elevada santidade diante de Deus” (Cf. TVD, art. 54); O sinal distintivo será, entre todos, sua predileção pela Cruz e pelo Rosário:  “trarão aos ombros o estandarte sangrento da Cruz, o crucifixo na mão direita, o Rosário na esquerda, os sagrados nomes de Jesus e Maria no coração, e a modéstia e mortificação de Jesus Cristo em toda a sua conduta” (MONTFORT apud LOMBAERDE, 1961).
          A partir de tudo o que foi descrito, é de crer que somos nós, ESCRAVOS DE AMOR da VIRGEM MARIA, esses apóstolos tão esperados, os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, almas predestinadas, com o chamado especial e precioso de fazer a Sua Mãe Santíssima mais amada e mais honrada do que nunca. Por isso, a CONSAGRAÇÃO ensinada por esse grande apóstolo precursor, São Luís Maria G. de Montfort, é tão valiosa e digna de fé, pois nos leva a um caminho de conversão cotidiana, a um caminho de rosas e de mel (Cf. TVD, art. 152), à perfeição da alma e total participação da vida divina por meio desta Boa Mãe e Senhora.
           Assim dizia Pe. Júlio Maria Lombaerde em apelo aos jovens: “Maria Santíssima precisa de apóstolos!”; “É preciso formar, educar a mocidade. Nenhum meio é mais eficaz que congregar os jovens em redor do estandarte da Virgem Imaculada”; e ainda: “ser filho de Maria é uma garantia de salvação! Ser Apóstolo de Maria é uma garantia de santidade!” (LOMBAERDE, 1961, p. 64).
            Sejamos, pois obedientes ao chamado da Rainha do Céu, quando em sua aparição em La Salette (1846), chama a todos os Seus apóstolos a levantarem-se, a saírem e iluminarem o mundo que vive nas trevas:

“Eu dirijo um urgente apelo a Terra; chamo os verdadeiros discípulos do Deus Vivo que reina nos Céus; chamo os verdadeiros imitadores de Cristo feito Homem, o único e verdadeiro salvador dos homens; chamo os meus filhos, os meus verdadeiros devotos, aqueles que já se me consagraram a fim de que vos conduza ao meu Divino Filho; os que, por assim dizer, levo nos meus braços, os que têm vivido do meu Espírito; finalmente, chamo os Apóstolos dos Últimos Tempos, os fiéis discípulos de Jesus Cristo que têm vivido no desprezo do mundo e de si próprios, na pobreza e na humildade, no desprezo e no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e na união com Deus, no sofrimento e no desconhecimento do mundo. Já é hora de que saiam e venham iluminar a Terra. Ide e mostrai-vos como filhos queridos meus. Eu estou convosco e em vós sempre que a vossa fé seja a luz que alumie, e nesses dias de infortúnio, que o vosso zelo vos faça famintos da glória de Deus e da honra de Jesus Cristo.”
             
          Portanto, se em nós pulsa esse ardente desejo de santidade, devemos nos lançar em Maria Ss.! É a Grande Mãe de Deus a responsável por formar grandes santos, e não podia ser diferente, pois aqueles que se consagram inteiramente ao seu serviço recebem d’Ela o Manto Sagrado de Suas virtudes, apresentam-se diante de Cristo não com seus próprios méritos, mas recobertos pelos méritos e merecimentos d’Aquela que foi digna de ser o próprio Tabernáculo Vivo de Deus.

CONSAGRA-TE!

Se você é um consagrado ou deseja ser um, acesse:

Referências:

LOMBAERDE, Pe. Júlio Maria de. O Segredo da Verdadeira Devoção para com a Santíssima Virgem, segundo São Luís Maria Grignion de Montfort. Anápolis, Go: Ed. Santo Tomás, Arca de Maria, Serviço de Animação Eucarística Mariana, 1961.

MONTFORT, São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2002.




Maria Cristina é membro aliança nível 2, casada e mora no Condomínio Mãe de Deus.


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A necessidade da Virgem Maria para a nossa salvação e perfeição


       Acreditar que Maria Santíssima nos é necessária para nossa salvação e perfeição é uma conseqüência da fé que temos no Mistério da Encarnação. Reflitamos um pouco sobre o que o Espírito Santo nos fala por meio do Evangelista:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. [...] E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade” (Cf. Jo 1, 1-3:14).  

         Somente no Seio de Maria Ss. o Verbo se fez carne. Criatura alguma mereceu conceber o próprio Deus senão Ela, e apenas por meio d’ Ela é que o Verbo habitou entre nós e pudemos ver a Sua glória. No Tratado da Verdadeira Devoção, São Luís Maria G. de Montfort nos mostra claramente que todos nós temos necessidade da Verdadeira Devoção a Maria Ss., porque o próprio Deus quis necessitar d’Ela para vir até nós!
         De acordo com esse santo apóstolo da Virgem Maria: “Deus Pai não deu ao mundo o Seu Unigênito senão por Maria. [...] Só Ela encontrou graça diante de Deus pela força das Suas orações e pela grandeza das Suas virtudes” (TVD, art. 16).  Assim, o Deus feito homem encontrou a Sua liberdade em se ver aprisionado e dependente no seio d’Ela; Glorificou a Sua independência e majestade dependendo desta amável Virgem na Sua concepção, nascimento, apresentação no templo, na Sua vida oculta de trinta anos e, até, na Sua morte (TVD, art. 18).
         É de se analisar ainda a conduta de Deus Espírito Santo, que tornou-se fecundo por Maria, a quem desposou. Foi com Ela e n’Ela e d’Ela que formou a Sua obra-prima: um Deus feito homem, e que forma todos os dias, até o fim dos séculos, os predestinados e os membros do corpo que tem por cabeça o adorável Jesus (TVD, art. 20).  
           Em Maria Santíssima, contemplamos, portanto, o procedimento que as três Pessoas da Santíssima Trindade tiveram na Encarnação, de uma maneira visível, como assinala Montfort (TVD, art. 22). Entretanto, precisamos crer junto a esse admirável santo, que esse procedimento se estende ainda todos os dias de uma forma invisível, na Santa Igreja, e tê-lo-ão até a consumação dos séculos, na última vinda de Jesus Cristo.
            Por fim, podemos nos perguntar: “Se o próprio Deus, este grande Senhor independente e bastando-se a si mesmo (TVD, art. 14), quis ter necessidade da Santíssima Virgem, quem somos nós para negligenciarmos a assistência materna dessa Boa Mãe?
           Com certeza, se o próprio Cristo que é Deus precisou de uma Mãe, quanto mais nós pobres criaturas, necessitamos da Virgem Mãe do Puro Amor para nos gerar, nutrir, proteger, ensinar, cuidar e, sobretudo formar Jesus Cristo em nós. Quem melhor do que Ela para nos conduzir a união perfeita com Cristo, fim último de toda devoção?
           Por isso, se desejamos alcançar a Salvação que o Senhor já conquistou a custo de Seu próprio Sangue derramado na Cruz, devemos recorrer a Mãe do Salvador, a Árvore da Vida, cujo Fruto Bendito é Jesus! Se almejarmos ainda, alcançar a perfeição em Deus, que tem como mérito a santidade, devemos recorrer a Mãe de Misericórdia, pois somente a Ela Deus confiou as chaves dos celeiros do Divino Amor (cf. Ct 1,3) e o poder de entrar nos caminhos mais sublimes e mais secretos da perfeição, bem como de neles fazer entrar os outros (TVD, art. 45).

CONSAGRA-TE!

Referências:

MONTFORT, São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2002.





Maria Cristina é membro aliança nível 2, casada e mora no Condomínio Mãe de Deus.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ser um consagrado

           Consagrar significa tornar sagrado, oferecer a Deus ou aos santos por culto ou voto, converter pão e vinho em corpo e sangue de Cristo, dedicar-se... (PRIBERAM, 2011). Ser um consagrado é então ser “separado” para Deus, pertencer somente a Ele, ser propriedade Sua.
          A nossa primeira consagração se dá no Batismo, que se constitui no nascimento para a vida nova em Cristo (CIC 1227). De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, o Sacramento do Batismo imprime na alma um sinal espiritual indelével, o caráter, que consagra o batizado ao culto da religião cristã (CIC 1280).
            Apoiando-se na doutrina da nossa Santa Igreja, São Luís Maria G. de Montfort nos ensina que no Batismo renunciamos solenemente, pela própria boca ou pelas de nossos padrinhos e madrinhas, a Satanás, às suas pompas e às suas obras, tomamos a Jesus Cristo por Mestre e Soberano Senhor, a fim de depender d’Ele na qualidade de escravos (TVD, art. 126).
          Nesse sentido, a consagração a Jesus por Maria Santíssima ensinada por esse santo apóstolo da Virgem Maria, vem a ser uma perfeita renovação das promessas do Santo Batismo. De modo que, de livre vontade sem intermediários, damo-nos expressamente a Nosso Senhor pelas mãos de Maria, e consagramos-lhes o valor de todas as nossas ações, renunciando novamente ao demônio, ao mundo, ao pecado e até a nós mesmos, dando-lhes o direito pleno e inteiro de dispor de nós e de tudo o que nos pertence.
         A oferta de nós mesmos por meio de Maria Santíssima nos faz descobrir o segredo de santidade revelado por esse santo escravo de amor, que é a imitação do próprio Cristo, Aquele que sendo Rei quis tornar-se escravo, encontrando Sua liberdade em se ver aprisionado e dependente no Seio da Puríssima Virgem. Ao encontro desse pensamento, Pe. Júlio Lombaerde assinala:

Jesus como homem, era servo e escravo de seu Pai. Para sermos servos de Deus queremos unir-nos a Jesus servo. E para viver mais unidos a Jesus, vamos a Maria, colocamo-nos sob sua dependência. Não é isso praticar a união com Jesus em toda a sua perfeição? [...] Este meio é, pois, seguro... o mais seguro, visto ser o escolhido por Jesus. Digamos, portanto, corajosamente: - o melhor meio de pertencermos a Jesus Cristo, nosso fim, é pertencermos sem reserva a Maria, sua Mãe, que é o meio estabelecido por Ele (LOMBAERDE, 1961).

         Sendo a Virgem Maria a Obra Prima de Deus Pai, podemos dizer com todos os santos, que Ela é o modelo pronto e acabado de toda a virtude, o Tesouro onde Deus Pai encerrou tudo o que tem de belo, de resplandecente, de raro e precioso; Onde Deus Filho depositou Seus méritos infinitos e Suas admiráveis virtudes; Ela, a quem Deus Espírito Santo comunicou Seus dons inefáveis, escolhendo-a para dispensadora de tudo quanto possui (TVD, cap. I); A via perfeita e imaculada que o próprio Cristo escolheu para vir até nós!
         Consagrar-se é, portanto, reconhecer que pertencemos ao Senhor, que fomos criados por Ele e para Ele é que devemos viver. É ainda, reconhecer a nossa fraqueza e total dependência dos cuidados d’Aquela que foi escolhida para nutrir e formar o próprio Deus feito Homem.
           Ser um consagrado é então, despojar-se do homem velho e da mulher velha e doar-se sem reservas ao serviço do Reino da Augustíssima Mãe do Senhor, preparando o Reino de Seu Filho Jesus. Todavia, não nos apoiamos em nossas próprias forças, mas deixamos que Essa Boa Mãe retire de nós tudo aquilo que desagrada a Deus: amor próprio, inveja, vaidade, sensualidade, avareza, egoísmo, apego aos bens materiais e as pessoas, etc. Em troca, Ela implantará em nossa alma a Sua profunda humildade, a Sua pureza divina, a Sua caridade ardente, o Seu amor à pobreza, e todas as Suas incontáveis virtudes.
              Isso se dá porque quanto mais pertencemos à Virgem Fiel, por meio da prática da nossa consagração, mas Ela se dá a nós e opera maravilhas de graças em nossa alma: “Como a alma que se consagrou é toda de Maria, também Maria é toda d’Ela” (TVD, art. 144). Ser um consagrado é finalmente lançar-nos na Forma Perfeita de Deus, a Virgem Imaculada, e deixar-nos formar por Ela, de tal modo que seremos rapidamente formados e moldados em Jesus Cristo e Jesus Cristo e nós!

CONSAGRA-TE!


REFERÊNCIAS:

CATECISMO da Igreja Católica: edição típica vaticana. São Paulo: Loyola, 2000.
LOMBAERDE, Pe. Júlio Maria de. O Segredo da Verdadeira Devoção para com a Santíssima Virgem, segundo São Luís Maria Grignion de Montfort. Anápolis, Go: Ed. Santo Tomás, Arca de Maria, Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2005.
MONTFORT, São Luís Maria Grignion. Tratado da verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis, Go: Ed. Popular do Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2007.
PRIBERAM Dicionário da Língua Portuguesa Online. Disponível em: <http://www.priberam.pt/dlpo/Default.aspx>. Acesso em: janeiro de 2011.





 Maria Cristina é membro aliança nível 2, casada e mora no Condomínio Mãe de Deus.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Consagração: a busca da santidade por meio da Santa Escravidão de Amor


           Ser um escravo de amor da Virgem Santa é a via perfeita que o próprio Deus indica aqueles que querem ser santos, dessa forma, a Santa Escravidão de Amor é o meio mais fácil, mais curto, perfeito e reto de se conseguir a união com Deus. Mas, o que os leva então a atingir a santidade? Eis a resposta do próprio Senhor: “Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). A união à Cristo e a perfeita imitação de Suas virtudes nos conduzem pelo caminho de perfeição e santidade. Por isso, quanto mais estivermos unidos ao Senhor Jesus, mais seremos transfigurados por Sua graça, formados à Sua imagem e semelhança, cumprindo de forma plena o que nos foi designado por Deus (Gn 1,26) na criação do mundo.
 Tomando como premissa o desejo do próprio Deus, São Luís Maria G. de Montfort, no Tratado da Verdadeira Devoção (art., 120), desenvolve o principal e persuasivo argumento sobre a Verdadeira Devoção à Virgem Maria:

Toda a nossa perfeição consiste em sermos conformes a Jesus Cristo, em nos unirmos e consagrarmos a Ele. Por isso, a mais perfeita de todas as devoções é, indubitavelmente, aquela que nos conforma, nos une e nos consagra mais perfeitamente a Jesus Cristo. Ora, de todas as criaturas, Maria é a mais conforme a Ele. Por conseguinte, a Devoção que, dentre todas as demais, melhor consagra e assemelha uma alma a Nosso Senhor é a Devoção à Santíssima Virgem, Sua Santa Mãe. E quanto mais uma alma for consagrada a Maria, tanto mais o será a Jesus Cristo. É por isso que a perfeita e inteira consagração a Jesus Cristo não é mais que uma perfeita e inteira consagração da alma à Santíssima Virgem.

           Complementando o pensamento de Montfort, Pe. Júlio Lombaerde (1961, p. 115) acrescenta expondo mais dois argumentos que nos levam a essa consagração à Santíssima Virgem, são eles:
Prova doutrinal: baseia-se no princípio de que a Santa Escravidão é uma renovação das promessas do Santo Batismo. Todos aqueles que são batizados deveriam ter o interesse de renovar as obrigações contraídas;
Prova de autoridade: o exemplo dos santos, e em particular São Luís Maria G. de Montfort, que por fazer conhecer essa Devoção levou grande número de pecadores à conversão.
         Desse modo, chegamos ao entendimento que a Santa Escravidão de Amor ou a Consagração à Jesus por Maria Santíssima, além de ser um instrumento de conversão dos pecadores, é o auxílio mais eficaz para se progredir na virtude, em busca vida da perfeição cristã. Faz-se necessário saber ainda, que é nessa perseverança e busca de uma vida virtuosa, tendo à Virgem Maria como modelo, que se cumprem os maravilhosos efeitos desta consagração e a união total e perfeita a Jesus Cristo.
              Terminamos essa reflexão, repetindo as palavras do Pe. Júlio Lombaerde: “A Virgem Maria é, portanto, nosso grande meio de união com Jesus Cristo; meio entre todos o mais eficaz, o mais apto para atingir o nosso fim, pois que escolhido pelo próprio Filho de Deus” ( p. 148).

Referências:
MONTFORT, São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. Anápolis, 2002.
LOMBAERDE, Pe. Júlio Maria. O Segredo da Verdadeira Devoção para com a Santíssima Virgem segundo São Luis Maria Grignion de Montfort. Caratinga, 1961.




 Maria Cristina é membro aliança nível 2, casada e mora no Condomínio Mãe de Deus.