terça-feira, 26 de julho de 2011

Maria Santíssima, a Virgem da escuta

            O conhecimento sobre Maria Santíssima serve para conhecer melhor a Jesus. Quanto mais se conhece Nossa Senhora, melhor se compreende e se ama a Jesus.

São Luis Maria Grignion de Montfort
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem:
            13. Foi meu coração que ditou o que acabo de escrever com particular alegria, a fim de mostrar como Maria santíssima tem sido insuficientemente conhecida até agora, e como é esta uma das razões que Jesus Cristo não é conhecido como o que deve ser.
            10. Como diz os santos "De Maria Numquam Satis" Maria não foi ainda suficientemente louvada e exaltada, honrada, amada e servida. Merece ainda muito maior louvor, respeito, amor e serviço.
            As informações a respeito de Nossa Senhora encontram-se no evangelho, um livro sagrado inspirado por Deus. Verdadeiro documento da igreja “magistério" e tradição.

São Luis Maria Grignion de Montfort
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem:
1. “Foi pela Santíssima Virgem que Jesus Cristo veio ao mundo, e também por ela que deve reinar no mundo”.
2. “Durante a vida ela permaneceu muito oculta. Sua humildade foi tão profunda para que só Deus a conhecesse”.
49. “Na primeira vinda de Jesus Cristo, Maria quase não apareceu afim que os homens ainda pouco instruídos e esclarecidos sobre seu filho não se afastassem da verdade apegando-se muito intensa e grosseiramente a ela”. Na segunda vinda de Jesus, Maria tem que ser conhecida e por isso manifestada pelo Espírito Santo, por ela fará conhecer amar e servir Jesus Cristo. Não existem razões hoje para oculta-la com medo de conflitos doutrinários. Deus preparou a Virgem Maria para esta missão, enriquecendo-a com suas graças, dogmas. Segundo os Santos Padres, ela acompanhou Jesus na vida publica em muitas viagens apostólicas, com as Santas mulheres ela esteve junto não somente moralmente ou fisicamente e sim colocando em prática seus ensinamentos, pensando e unindo-se a ele em espírito, sendo conduzida com seu próprio Espírito Santo, só ele a governava e tomou-o para si. Ela nos ensina a ouvir a palavra de Deus, acima de tudo colocando em pratica. A alma da Virgem Maria pode ser comparada a um terreno fértil onde o semeador jogou sementes que crescem 30, 60, 100 por um.

            Durante os anos escutou com atenção e guardou carinhosamente no seu coração imaculado cada palavra da sabedoria divina, nela brota frutos da graça, mãe da fonte da graça.
Não devemos ser falsos devotos, que não agradam a Deus nem a Santíssima Virgem. * que não escutam

São Luis Maria Grignion de Montfort
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem:
92. Críticos, presunçosos, interesseiros, escrúpulos, inconstantes, exteriores, hipócritas. 
                        
Devemos viver a verdadeira devoção imitando suas virtudes: Marianização da alma, ser outra Maria!
São Luis Maria Grignion de Montfort
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem:
108. Profunda humildade, fé viva, obediência cega, contínua oração, mortificação universal, pureza divina, ardente caridade, paciência heróica, doçura angélica e sabedoria divina.                                                                                                                   

Nossa devoção deve ser portanto afetiva e efetiva !

São Luis Maria Grignion de Montfort
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem:
            40-43. “Segundo opinião dos padres da igreja, santo Agostinho, São Cirilo, São Germano, São Bernardo, São Bernardino, São Boa Ventura, São Tomas, provaram de maneira incontestável que a devoção Santíssima Virgem e necessária para salvação, fé muito mais necessária para os que são chamados a perfeição. Não creio que alguém possa atingir uma intima união com Deus, sem uma união muito grande com a Santíssima Virgem e sem grande dependência”.

Deveos saber ouvir e obedecer:
Lc 1,30: “O anjo disse-lhe: não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus, eis que conceberás e darás a luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus...”
Isabel, tua parenta, até ela concebeu na velhice, e já está no sexto mês - ela escuta e responde
Lc 1,38: “Eis aqui a serva do senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra..., levantou-se, e foi às pressas ao encontro de Isabel”.
Lc 1,42: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre, donde me vem à honra de vir a mim a mãe do meu senhor?”
Lc 1,46: “E Maria disse: "Minha alma glorifica ao senhor, meu Espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhar para sua pobre serva, por isso, desde agora me proclamarão Bem Aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo, sua misericórdia se estende de geração em geração, sobre os que o temer. Manifestou o poder do seu braço, desconcertou o coração dos soberbos, derrubou do trono os poderosos exaltou os humildes independentemente da cor, credo, cultura, sexo ou idade, saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos, acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometeram nossos pais, em favor de Abrão e sua posteridade, para sempre”.
            Discute pelo menos quatro grandes temas: relacionamento de Maria com Deus, síntese do antigo testamento com mais quinze citações, visão criticadas relações sociais, seu entendimento sobre os fenômenos psíquicos.
            A inteligência dela era incomum, não era só dócil e serena, revela uma genialidade, um poema complexo de improviso, era apenas uma adolescente, e, Jesus crescia em estatura e graça em sabedoria, sem privilégios sociais, mas com privilégios intelectuais.
Jesus era um homem de sociabilidade espantosa, era amigável de fácil contato, transitava em todos os ambientes. Ela aprendeu e discutiu com ele a interpretação da torá.
            Mesmo tendo nascido pobre, numa manjedoura quase assassinado na infância, fugitivo em terra estranha, trabalho pesado na vida adulta, não demonstrou rigidez ou inflexibilidade, complexos, será que puxou a sua mamãe!
Lc 2,48: “Maria diz: meu filho, que nós fizeste? Eis que teu pai e eu andávamos a tua procura cheios de aflição”; “Porque me procuráveis, não sabeis que devo ocupar-me das coisas do meu pai?”.
Lc 2,51: “Jesus desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso, sua mãe guardava estas coisas no seu coração”.
Jo 2,3: “A mãe de Jesus disse: "Eles não tem vinho!" (R) Jesus disse: mulher isso compete a nós? minha hora não chegou. ela escutou!?” Maria disse: “fazei o que eles vos disser”; Ela ouviu do povo: “Jesus está louco! como uma boa mãe!”.
Mc 3,22: “Saíram para refletir, diziam: ele esta fora de si, está possuído por Beelzebul, é pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios”.
Mc 3,32: “Tua mãe e teus irmãos estão ai fora e te procuram, ele respondeu-lhes: "Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? Aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã é minha mãe”.
            Estas palavras não eram de reprovação, e sim cheias de graça e elogio. Ela cumpriu e continua a cumprir o que ouvia. Ela foi mãe não só fisicamente, mas Espiritualmente. A grandiosidade de Maria não era a maternidade física, e sim Espiritual que consiste na doce e humilde atenção as palavras de Deus na sua vida quotidiana e atual. A superioridade dos valores sobrenaturais frente aos naturais. Nesta família estão todos que põem a palavra em prática.
Jo 25,26: “Jesus disse: "mulher, eis ai teu filho", depois disse ao discípulo " eis ai a tua mãe", e dessa hora em diante o discípulo a levou para casa... (R) e ela foi, para casa de cada um de nós! você a recebeu para morar na sua casa, como você convive com esta visitante que veio para morar, arrume a sua casa”.
"Virgem da escuta e da dor":
Lc 2,35: “Também em ti uma espada de dor transpassará a sua alma”.
Ela ouviu, não fugiu, a dor sempre acompanhou toda a sua vida:
Pobreza do seu nascimento de Jesus, a circuncisão, na apresentação no templo, a fuga para o Egito, na perda em Jerusalém, nos perigos da vida apostólica, aos pés da cruz, sobretudo vendo seu filho mutilado, flagelado, coroado de espinhos, a dor da ingratidão humana frente ao infinito amor de Deus foi a sua maior dor, o abandono, a traição, até mesmo da parte dos mais fiéis, aumentaram no coração de Maria a intensidade desta dor, muitos não traem a esposa/esposo, mas traem Jesus todos os dias.
Dores de Nossa Senhora:
1- Profecia de Simeão
2- Fuga para o Egito
3- Perda no templo
4- Encontro no Calvário
5- Morte, aos pés da cruz
6- A lança no peito, descida da cruz
7- Sepultura

Referências:

MONTFORT, São Luís Maria Grignion de. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2002.
CURY, Augusto. Maria, a maior educadora da história: os dez princípios que Maria utilizou para educar o Menino Jesus: uma visão da psicologia, psiquiatria e pedagogia sobre a mulher mais famosa e desconhecida da história / Augusto Cury. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.
CARVALHO, César Augusto Saraiva de; CARVALHO, Mara Lúcia Figueiredo Vieira de. CONSAGRA-TE! Espiritualidade Mariana na Vida dos Santos. Natal: Mater Dei Gráfica e Editora, 2010.
PELLETTIERI, Pe. Gabriel Maria. Quem é Maria?. Goiás: Frades Franciscanos da Imaculada, 1977.

Para citar esse artigo:
César Mariano - "Maria Santíssima, a Virgem da escuta"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
http://consagracaomontfortina.blogspot.com/2011/07/maria-santissima-virgem-da-escuta.html
Online, 26/07/2011



César Mariano

Fundador da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus,  Coordenador Geral, Médico, Casado, 02 filhas.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Para escolher é preciso conhecer: A importância do culto à Virgem Maria


       
      O culto a Virgem Maria é uma das práticas mais belas da nossa Santa Igreja, consiste, pois num reconhecimento da dignidade da Virgem Santíssima por toda a comunidade dos fiéis católicos. Nesse sentido, a Igreja é segura ao afirmar que a Virgem Santa foi remida de modo mais sublime em atenção aos méritos de Seu filho, e unida a Ele por vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a sublime prerrogativa e dignidade de ser a Mãe de Deus Filho, e, portanto, filha predileta do Pai e Sacrário do Espírito Santo. Com este dom de graça sem igual, ultrapassa de longe todas as outras criaturas celestes e terrestres (LUMEN GENTIUM, 2010).
        Mediante os privilégios com os quais a Santíssima Trindade favoreceu a Virgem Maria é que a Santa Igreja reconhece a importância da piedade filial, autenticando assim, as honras e louvores dados a Ela por seus membros, percebamos:

[...] Por esta razão é também saudada como membro supereminente e absolutamente singular da Igreja, e também como seu protótipo e modelo acabado, na fé e na caridade; e a Igreja Católica, guiada pelo Espírito Santo, honra-a como mãe amantíssima, dedicando-lhe afeto de piedade filial (LUMEN GENTIUM, 2010, p. 118).

          Os louvores e honras fazem parte, portanto, do culto que Lhe devotamos. Esse, por sua vez, é diferenciado do culto dado aos outros santos, tendo em vista que “Maria foi exaltada pela graça de Deus acima de todos os anjos e de todos os homens, logo abaixo de Seu Filho, por ser a Mãe Santíssima de Deus” (LUMEN GENTIUM, p. 131).   
        O culto dado a Nossa Senhora possui raízes históricas, mas, antes disso, faz parte de Sua própria profecia proclamada no Magnificat: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque fez em mim grandes coisas aquele que é poderoso” (cf. Lc 1, 48). No entanto, é preciso saber distinguir o culto dado a Mãe do Senhor, do culto dado ao próprio Deus, e quanto a isso a Igreja tem extrema clareza, afirmando que sendo o culto a Nossa Senhora, de todo singular, difere do culto de adoração que é prestado ao Verbo encarnado e do mesmo modo ao Pai e ao Espírito Santo (LUMEN GENTIUM, 2010).
        Ter conhecimento sobre o que a Igreja ensina a respeito da forma como devemos honrar a Mãe de Deus, e nossa, é de suma importância para aqueles que a Ela se consagram ou desejam se consagrar. Além disso, é preciso saber o sentido que norteia os louvores dados a tão Amável Mãe, e com isso ter a prudência de nem elevá-la acima de Deus, sabendo que não é essa a vontade d’Ela que é profundamente humilde, e nem rebaixá-la demais, a ponto de obscurecer a Sua dignidade e ainda, ignorar os Seus privilégios não publicando os Seus louvores, impedindo assim, que outros A conheçam e amem.   
        Devemos ter consciência de que esse reconhecimento demonstrado por meio de um culto todo especial a Virgem Maria é a maior expressão da piedade filial que devemos ter por nossa Mãe Santíssima. Logo, é a partir desse amor filial que brota de nosso coração uma verdadeira e sólida devoção, fruto da convicção que temos da Sua sublime missão de ser a Mãe de Cristo, Mãe da Igreja e, portanto, Nossa Mãe.
       Nos próximos artigos, aprenderemos à luz dos ensinamentos de São Luís Maria G. de Montfort, como distinguir a verdadeira devoção das falsas devoções, buscando crescer cada vez mais no conhecimento da Consagração à Virgem Maria. 

Para saber mais detalhes sobre o culto à Nossa Senhora, leia também: 

CONSAGRA-TE!

 
Referências

CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. Lumen Gentium: constituição dogmática sobre a Igreja. 21ª ed.  São Paulo: Paulinas, 2010.
MONTFORT, São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2002






Maria Cristina é membro aliança nível 2, casada e mora no Condomínio Mãe de Deus.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Maria Santíssima, Sacrário da Divina Graça


É-nos muito difícil conservar a Graça e os Tesouros recebidos de Deus”, nos diz São Luís Maria G. de Montfort, no capítulo II do Tratado da Verdadeira Devoção. Tomando essa afirmação como referência, iniciemos a nossa reflexão partindo da seguinte questão: você seria capaz de entregar nas mãos de uma criança, um recipiente delicadíssimo, e ainda, de incomparável valor? Acredito que não, tamanho o zelo que temos com objetos que nos são caros. No entanto, será que já paramos para pensar no quão frágil somos para guardar conosco o preciosíssimo e inigualável tesouro que é a graça de Deus?
Da mesma forma que não confiaríamos a uma criança um vaso nobre e delicado, temendo que ela logo se distraísse e deixasse o vaso de imensa nobreza cair, não devemos confiar em nós mesmos, achando-nos capazes de carregarmos por nossas próprias forças a graça de Deus.
Vejamos o que nos diz São Paulo (cf. 2 Cor 4,7): “Ora, trazemos esse tesouro em vasos de barro [...]”. Complementando o seu pensamento, nos diz: “Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos em apuros, mas não desesperançados; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados” (cf. 2 Cor 4, 8-9).
É com base nessa passagem que Montfort formula os seus argumentos a respeito da importância fundamental que a Virgem Santíssima assume enquanto celeiro riquíssimo (cf. TVD, art. 45) onde o Senhor depositou todas as graças. Assim, esse grande apóstolo da Virgem Maria e da Cruz, nos mostra três razões pelas quais devemos confiar muito menos em nós e muito mais na Virgem Cheia de Graça (cf. Lc 1, 28), são elas (cf. TVD, art. 87):
1º Porque temos este tesouro, mais valiosos que o Céu e a Terra, em vasos frágeis (cf. 2 Cor 4,7); num corpo corruptível, numa alma fraca e inconstante, que por um nada se perturba e abate.
2º Porque os demônios, que são ladrões muito finos, querem apanhar-nos de improviso, para nos roubar e despojar. Para isso espreitam noite e dia o momento favorável. Rondam incessantemente, prontos para nos devorar e nos arrebatar num só momento, por um único pecado, tudo o que ganhamos em graças e méritos durante muitos anos.
3º É difícil perseverar na justiça, por causa da estranha corrupção do mundo. Ele está, presentemente, tão corrompido, que se torna quase inevitável serem os corações religiosos manchados, senão pela sua lama, ao menos poeira.
Percebemos, portanto, que somos fracos e limitados por demais para confiarmos apenas em nós mesmos. Lembremo-nos que o maior pecado de Satanás foi o orgulho, que surgiu da resistência em ser submisso ao Senhor e do desejo de ser como Deus. Desse modo, estejamos atentos, para que não sejamos pegos por esse mesmo pecado, deixando-nos envenenar pela falta de humildade. Sobre isso argumenta Montfort: “Ah! Quantos cedros do Líbano, quantas estrelas do firmamento não têm-se visto cair miseravelmente e, em pouco tempo, perder toda a sua elevação e claridade! Donde proveio esta estranha mudança? O que faltou não foi a graça, que não falta a ninguém, foi a humildade!” (cf. TVD, art. 88).
Saibamos que existe, pois um Cofre Imaculado, onde Deus Pai quis depositar a maior de todas as graças, o próprio Jesus! Atentemo-nos para o fato de que o próprio Deus, de onde nos vem todas as bênçãos e graças, quis habitar num Sacrário Seguríssimo e inviolável, consagrado inteiramente a Ele, lacrado pelo próprio Espírito Divino, quis se fazer carne no ventre puríssimo da Virgem Maria.
Até o próprio Deus, a nossa fortaleza, fez-se pequeno e frágil, dependente dos cuidados de Sua Santíssima Mãe. Por que, então, insistir em trazer a graça de Deus em vasos tão frágeis, ou ainda, por que insistir em carregarmos esse vaso? Por que não entregamo-lo nas mãos de Nossa Senhora? Será que Aquela que foi a escolhida para carregar o próprio Deus em Seu ventre, não será capaz de carregar o vaso insigne que guarda todas as graças que recebemos do Senhor?
Por isso não devemos confiar em nós mesmos, mas sim, naquela em que Deus quis confiar, e que jamais O decepcionou. Os discípulos fugiram, negaram e abandonaram o Seu Senhor. Mas, a Sua Mãe jamais fugiu, mesmo quando ficou surpresa em ser escolhida para ser a Mãe de Deus. Ela jamais O negou, mesmo quando Jesus e os Seus foram perseguidos! Ela jamais O abandonou, ao contrário permaneceu dolorosa, porém firme, de pé aos pés da Cruz de Jesus, recebendo d’Ele a missão de ser Mãe do Discípulo Amado: “Eis aí Tua Mãe” (cf. Jo 19,27) e por consequência, Mãe de toda a humanidade.
Por fim, aprendamos com Montfort a enxergarmos a Santíssima Virgem Maria como o Baú de todas as graças divinas, o lugar seguríssimo e selado, onde Satanás e seus seguidores nem se quer aproximam-se, e jamais conseguirão entrar: “É a Virgem, a única sempre fiel, sobre a qual a serpente jamais teve poder, quem faz este milagre a favor daqueles e daquelas que a servem da melhor maneira!”.

Confie-se inteiramente aos cuidados da Mãe da Graça, CONSAGRA-TE!

  
Referências

MONTFORT, São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2002.









  


Maria Cristina é membro aliança nível 2, casada e mora no Condomínio Mãe de Deus.

sábado, 26 de março de 2011

Maria Santíssima nossa medianeira de intercessão junto à Jesus Cristo



          “É mais perfeito, porque mais humilde, não nos aproximarmos diretamente de Deus, mas servimo-nos de um mediador” (TVD, art. 83). É essa, pois a quarta verdade apresentada por São Luís Maria G. de Montfort, ao nos convencer dos imensuráveis benefícios que alcançamos de Deus por meio da nossa entrega total a Ele na santa escravidão de amor.
              O grande apóstolo da Virgem Maria e da Cruz nos mostra que pedir a intercessão ou o auxílio da Mãe do Senhor é, antes de tudo, um sinal de profunda humildade e reconhecimento de que somos imensamente indignos de nos aproximarmos por nós mesmos da Majestade Suprema que é o próprio Deus feito carne no ventre santo da Puríssima Virgem.
O que diz esse grande santo está, portanto em perfeita comunhão com o que é defendido pela nossa Santa Igreja na Constituição Dogmática Lumen Gentium (art. 60):

É um só o Mediador, segundo as palavras do Apóstolo: “Porque há um só Deus, também há um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, verdadeiro homem, que se ofereceu em resgate por todos” (1 Tm 2, 5-6). A função maternal de Maria para com os homens, de nenhum modo obscurece ou diminui esta mediação única de Cristo, antes mostra qual a sua eficácia.

É justamente partindo desse entendimento, que Montfort nos ensina sobre a importância da mediação de Nossa Senhora, afirmando ser Ela a pessoa mais capaz de desempenhar esta função caridosa, visto que foi por Ela que nos veio Jesus Cristo e é por Ela que devemos ir a Ele (Cf. TVD, art. 85).
Nosso Senhor nos diz: “ninguém vai ao Pai se não por mim” (Cf. Jo 14,6). Ora, se para irmos até Deus Pai necessitamos de um Mediador, será que podemos aproximar-nos de Jesus, que é Deus em tudo igual ao Pai, valendo-nos de nossas próprias forças, negligenciando a mediação de Sua própria Mãe?
Apoiemo-nos mais uma vez na orientação da nossa Santa Igreja:

Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na Sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia; de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece (Lumen Gentium, art. 60).

Nesse sentido, Montfort nos mostra a beleza dessa sublime e perfeita comunhão entre a Mãe de Deus e Seu Divino Filho:

Ela não é o Sol, que pela vivacidade dos seus raios poderia cegar-nos por causa da nossa fraqueza. Ela é bela e doce como a Lua, que recebe a luz do Sol e abranda a fim de adaptá-la a nossa pequenez. É tão caridosa que não repele nenhum dos que pedem a sua intercessão, por mais pecador que seja (TVD, art. 85).
           
            De fato, é preciso dizer que todos os méritos e privilégios recebidos por Maria Santíssima dão-se em função de sua diviníssima e incomparável missão, ser a Mãe de Deus. Concebendo, gerando e alimentando a Cristo, apresentando-O ao Pai no templo, padecendo com Ele quando agonizava na cruz, cooperou de modo singular, com a sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É por esta razão nossa mãe na ordem da graça (Lumen Gentium, art. 61).
            Sendo assim, a Virgem Mãe de Deus, cooperadora inseparável de Cristo em toda a história da Salvação, continua a Sua missão de nos resgatar mesmo após a Sua Gloriosa Assunção: “Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção, desde o consentimento, que fielmente deu na anunciação e que manteve inabalável junto à cruz, até à consumação eterna de todos os eleitos” (Lumen Gentium, art. 62).
           Portanto, se receamos ir diretamente a Jesus Cristo, nosso Deus, por causa da Sua grandeza infinita, ou da nossa miséria, ou ainda dos nossos pecados, imploremos ousadamente o auxílio e a intercessão de Maria, nossa Mãe, nos diz Montfort (Cf. TVD, art. 85). Saibamos que necessitamos subir três degraus, nos ensina São Bernardo e São Boaventura (apud TVD, art. 86): o primeiro que está mais perto de nós e mais conforme a nossa capacidade, é Maria Ss.; o segundo é Jesus Cristo, e o terceiro é Deus Pai. Dessa maneira, para ir até Jesus é preciso ir à Maria Santíssima.
 Por fim, Montfort nos explica que a Mãe do Puro Amor é a nossa Medianeira de intercessão. Enquanto Jesus é o nosso Medianeiro de Redenção, pois é Ele que nos leva ao Eterno Pai. Esse entendimento nos leva então a compreensão da Consagração a Jesus por Maria Ss., onde apontamos a Virgem Mãe de Deus como o caminho mais fácil, curto, perfeito e seguro de chegar até Jesus, Nosso único Senhor e Salvador.
Confiemos, portanto na infalível mediação da Virgem Santíssima, certos de que nunca se ouviu dizer que alguém que tenha recorrido a Ela, com confiança e perseverança, tenha sido desamparado! CONSAGRA-TE e terás mil vezes mais o auxílio, a fortaleza, a paz e a segurança Daquela que é a nossa grande Mãe e advogada!


Referências

IGREJA CATÓLICA. Lumen Gentium: Constituição Dogmática do Concílio Ecumênico Vaticano II sobre a Igreja. 22. Ed. Brasileira. São Paulo: Paulinas, 2010.

MONTFORT, São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2002.




 Maria Cristina é membro aliança nível 2, casada e mora no Condomínio Mãe de Deus.










Para citar esse artigo:
Maria Cristina Pereira de Paiva - "Maria Santíssima nossa Medianeira de intercessão junto à Jesus Cristo"
  Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
http://consagracaomontfortina.blogspot.com/2011/03/maria-santissima-nossa-medianeira-de.html
Online, 26/03/2011 às 10:30h        

segunda-feira, 14 de março de 2011

Devemos esvaziar-nos do que há de mau em nós


Para a perfeição e união com Jesus Cristo precisamos despojar-nos de tudo o que de mau existe em nós” (TVD, art. 78) afirma  o grande apóstolo da Virgem Maria e da Cruz, São Luís Maria Grignion de Montfort, defendendo essa verdade como fundamental para uma Verdadeira Devoção para com a Santíssima Virgem Maria. No entanto, essa afirmação provoca em nós o seguinte questionamento: conhecemos o nosso fundo mau ou temos ainda um conceito muito elevado de quem realmente somos? Buscaremos por meio de algumas reflexões, sobre nós mesmos, entender o quanto é necessário o conhecimento de si, de nossas misérias e limitações humanas, para alcançamos a perfeição em Cristo.
Primeiramente é preciso saber que o conhecimento de si mesmo é profundamente necessário para o progresso na vida espiritual. Conhecimento não só de nossas boas qualidades, mas também, de nossas qualidades ruins, ou seja, do nosso fundo mau.        
O conhecimento de si mesmo é um exercício espiritual que nos faz enxergar à luz do Espírito Santo o nosso interior, os sentimentos bons e ruins que habitam no mais íntimo do nosso ser. É por esse motivo, que uma alma que deseja alcançar a perfeita união com Jesus deve debruçar-se de coração contrito sobre o que verdadeiramente é - eu atual-, buscando chegar à plenitude do que Deus quer ela seja - eu ideal (NOGUEIRA; LEMOS, 2006).
Em sua sabedoria divina, Montfort entendia perfeitamente essa necessidade eminente do conhecimento de si mesmo para alcançar uma verdadeira devoção a Nossa Senhora, elegendo esse exercício espiritual não só com um requisito, mas também como um maravilhoso efeito desta consagração (cf. TVD, art. 213).
Nesse contexto, Montfort nos ensina que para nos despojar de nós mesmos é preciso seguir alguns passos:

Em primeiro lugar, (é preciso) conhecer bem, pela luz do Espírito Santo, o nosso fundo mau, a nossa incapacidade para qualquer bem útil à salvação, a nossa fraqueza em todas as coisas, a nossa permanente inconstância, a nossa indignidade de toda a graça, a nossa iniquidade em toda a parte (cf. TVD, art. 79).

Para que possamos entender esse primeiro passo para o despojamento é importante compreender que só se reconhece indigno, fraco e incapaz de receber qualquer graça, aquele que se reconhece pequeno, e que busca na virtude da Profunda Humildade da Mãe de Deus a coragem de se “despir” do homem velho e da mulher velha, rasgando o seu coração diante do Senhor e de Sua Augustíssima Mãe. 
Com o objetivo de facilitar a nossa compreensão sobre o fundo mau que existe em nós, Montfort nos compara a alguns animais, entre eles, o orgulhoso pavão, os sapos apegados a essa terra, a serpente invejosa, ou ainda, aos porcos gulosos, aos tigres coléricos, as tartarugas preguiçosas, aos inconstantes cata-ventos (cf. TVD, art. 79). Em todos eles, conseguimos enxergar as semelhanças com o orgulho que envenena a nossa alma, o apego às coisas do mundo que nos impedem de seguir a Deus, e tantas outras fraquezas que nos fazem reconhecer-nos como absolutamente nada diante do Altíssimo.
Em segundo lugar, para nos despojar de nós mesmos, nos ensina Montfort (cf. TVD, art. 81), é preciso:

[...] morrer todos os dias. Isto quer dizer que é preciso renunciar às operações das potências da nossa alma e dos sentidos do nosso corpo, ou seja: temos de ver como se não víssemos, de ouvir como se não ouvíssemos, de nos servir das coisas deste mundo como se delas não nos servíssemos (cf. 1 Cor 7, 29-31).

              Quanto a essa mortificação dos sentidos, nos diz São João da Cruz: “Se alguém afirmar que pode ser perfeito sem a mortificação externa, não lhes deis crédito, nem mesmo que faça milagres para comprovar, pois é pura ilusão” (CARVALHO; CARVALHO, 2010). Esse santo acrescenta ainda, que com um só ato de mortificação podem-se praticar muitas virtudes. Assim, aquele que busca a perfeição em Cristo deve buscar a mortificação, o que vem a ser o mesmo que morrer todos os dias, crucificando as suas próprias vontades e desejos para que prevaleça a vontade de Deus em todas as suas ações, por menores que sejam.
              Em terceiro lugar, continua Montfort,

É preciso escolher dentre todas as devoções à Santíssima Virgem, aquela que nos leva mais a esta morte para nós próprios, porque esta é a melhor e a mais santificante. [...] Na natureza há segredos para fazer operações naturais em pouco tempo, econômica e facilmente. Na ordem da graça existem também segredos para fazer operações sobrenaturais em pouco tempo, suavemente e facilmente (cf. TVD, art. 82).
             
              O segredo de alcançar a santidade em menos tempo e de forma perfeita é justamente consagrando-se inteiramente e sem reservas a Augusta Rainha do Céu e da Terra, para assim pertencer perfeita e unicamente ao Seu Diviníssimo Filho, Jesus Cristo. Quanto mais uma alma busca o conhecimento e, por conseguinte o desprezo de si mesmo, despojando-se de todo mau que nela habita mais rapidamente essa alma consegue encher-se de Deus e por meio de Maria Santíssima tornar-se plena da graça divina.  Esse maravilhoso segredo consiste, portanto, em deixar-se modelar por Maria Santíssima, conferindo a Essa Amável Senhora o direito já concedido por Deus, de operar magnificamente em nossas almas e sermos por Ela preenchidos de Suas virtudes. Mas, para isso é antes necessário, como vimos acima, deixar morrer o homem velho e a mulher velha, esvaziando-se do que há de mau em nós, para que a Imaculada possa habitar, viver e glorificar o Seu Amadíssimo Filho em nós!
              Por fim, deixamos aqui algumas pistas para reflexão,  que nos levarão a um profundo conhecimento de nossa miséria, ressaltando a importância dessa prática na Quaresma, tempo litúrgico vivenciado por toda a Igreja, que busca no jejum, oração e esmola, praticar a Mortificação dos Sentidos e a Caridade Ardente, virtudes da Virgem Maria.

Para refletir...
1º Todo homem tem desejo natural de saber; mas, que aproveitará a ciência sem temor de Deus? Melhor é, por certo, o humilde camponês que serve a Deus, do que o filósofo soberbo que observa o curso dos astros, mas se descuida de si mesmo; Aquele que conhece bem se despreza e não compraz em humanos louvores;
Não há mais útil estudo do que conhecer-se perfeitamente e desprezar-se a si mesmo;
3º Ter-se por nada e pensar sempre bem e favoravelmente dos outros, é prova de grande sabedoria e perfeição;
4º Ainda que não vejas alguém pecar publicamente ou cometer faltas graves, nem por isso te deves julgar melhor, pois não sabes quanto tempo poderás perseverar no bem;
5º Todos nós somos fracos, mas a ninguém deves considerar mais fraco que a ti mesmo (Imitação de Cristo, 1979).

       Para que possamos crescer em nossa caminhada espiritual, supliquemos humildemente o auxílio da Estrela do Mar, para que Ela nos guie nesse árduo e doce caminho de santidade, tendo a certeza que Ela é, sobretudo, Mãe de Misericórdia, e poderosa intercessora junto ao Seu Filho e Senhor, Jesus!
             
CONSAGRA-TE!

Referências:

CARVALHO, César Augusto Saraiva de; CARVALHO, Mara Lúcia Figueirêdo Vieira de. CONSAGRA-TE! Espiritualidade Mariana na Vida dos Santos. Natal: Mater Dei Gráfica e Editora, 2010.

IMITAÇÃO de Cristo. São Paulo: Paulus, 1979.

MONTFORT, São Luís Maria Grignion de. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2002.
NOGUEIRA, Maria Emmir Oquendo; LEMOS, Silvia Maria Lima. Tecendo o fio de ouro: caminho Ordo Amoris. Fortaleza: Edições Shalom, 2006.



Maria Cristina é membro aliança nível 2, casada e mora no Condomínio Mãe de Deus.








 
Para citar esse artigo:
Maria Cristina Pereira de Paiva - "Devemos esvaziar-nos do que há de mau em nós"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
http://consagracaomontfortina.blogspot.com/2011/03/devemos-esvaziar-nos-do-que-ha-de-mau.html
On line, 14/03/11, às 22:35.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pertencemos a Jesus e a Maria Santíssima na qualidade de escravos


         Iniciamos a nossa reflexão sobre esse tema, a partir de um questionamento que devemos fazer a nós mesmos: A quem estamos servindo? A Nosso Senhor Jesus Cristo? Ou ao príncipe deste mundo, Satanás?
           No mundo de hoje, o que se tem é um afastamento cada vez maior dos princípios e valores cristãos tendo como argumento a busca da verdadeira liberdade. Desse modo, falar de escravidão, na realidade atual é algo mais do que ultrapassado, é antes de tudo, uma visita indesejável a um passado de sofrimento e rejeição de um povo, denominado escravo.
           De fato, o período histórico que mencionamos não nos traz lembranças boas, ao contrário, nos mostra a total falta de caridade que o homem pode ter por aquele que lhe é semelhante.  Mas, se sentimos horror ao pensar nos maus-tratos recebidos pelos negros, por que não nos preocupa a escravidão da alma, causada por Satanás, princípio e autor do pecado?  
 É por meio do Sacramento do Batismo que nos tornamos participantes da redenção de Cristo e recebemos os merecimentos do Sacrifício de Jesus, que morreu na Cruz para nos salvar dos nossos pecados. Assim, é por meio desse Sacramento que nos tornamos Filhos de Deus, autênticos cristãos, selados pelo Espírito Divino, que infunde em nossas almas dons especiais que nos ajudam a permanecer na vida em Cristo Jesus (Cf. CIC 1212). É o Santo Batismo que nos liberta da escravidão do Demônio e nos faz escravos do Senhor.   
Nesse contexto, São Luís Maria G. de Montfort nos ensina que pertencemos a Jesus Cristo na qualidade de escravos, propriamente por sermos criaturas de Deus, e ainda por renovarmos a nossa pertença a Ele por meio da Consagração. Essa prática, por sua vez, consiste no uso pleno de nossa liberdade humana, onde por livre vontade renovamos as promessas do Santo Batismo, ratificando a nossa pertença a Deus e a renúncia a Satanás, ao pecado.
Para que esse entendimento seja assimilado da melhor forma, Montfort, esse grande apóstolo da Virgem Maria e da Cruz, nos explica que há três espécies de escravidão: uma natural, outra forçada e outra voluntária:

Todas as criaturas são escravas de Deus da primeira forma: “Ao Senhor pertence a Terra e tudo o que nela está contido” (Sl 23,1). Os demônios e os réprobos pertencem à segunda categoria, os justos e os santos à terceira. A escravidão voluntária é a mais perfeita e mais gloriosa para Deus, que olha ao coração, que pede o coração, que se chama o Deus dos corações (I Sm 16,7; Sl 72,26; Pr 23,26), ou da vontade amorosa  (Cf. TVD, art. 70).

           Até os demônios são escravos do Senhor Deus, mesmo que forçadamente. Todos nós somos naturalmente escravos, mas podemos honrar e alegrar ainda mais o Coração de Deus, ao servi-lO não só por nossa obrigação, por assim dizer, mas também e principalmente por amor.  Além dessas três categorias, cabe ainda ressaltar o significado que tem a escravidão no contexto da metodologia utilizada por Montfort. Segundo ele, se faz necessário destacar a diferença entre servo e escravo, essas seriam as duas maneiras de pertencer à outra pessoa e depender de sua autoridade.
         Na primeira maneira, a servidão, comum entre os cristãos, um homem compromete-se a servir outro durante certo tempo, mediante determinada paga ou recompensa. Na segunda maneira, a escravidão, um homem depende inteiramente de outro, por toda a vida, e deve servir o seu senhor sem pretender paga nem recompensa alguma (Cf. TVD, art. 69). Partindo desse entendimento, é que Montfort afirma:

“Nada há entre os homens, que mais nos faça pertencer a outrem que a escravidão. Do mesmo modo nada há entre os cristãos que nos faça pertencer mais absolutamente a Jesus Cristo e à Sua Santa Mãe do que a escravidão voluntária” (TVD, art. 72).

        Chegamos aqui, no ponto principal de nossa reflexão, a escravidão de amor a Jesus por Maria Santíssima como a mais perfeita forma de glorificar e servir a Deus. Todavia, se faz necessário compreender que se Jesus Cristo é o Rei e Senhor, a Virgem Santíssima, Sua Mãe, é Nossa Rainha e também Nossa Senhora. O desejo de pertencer a Virgem Maria para assim poder servir a Jesus é, portanto uma via de santidade perfeita, tendo em vista que o primeiro escravo de amor da Santíssima Virgem foi o próprio Cristo, que se fez prisioneiro em Seu ventre santo (Cf. Fl 2, 6-7).
          Essa compreensão é um tanto lógica, uma vez que Jesus e a Virgem Santíssima estão sempre unidos, e não em partidos distintos. O que nos leva a afirmar que aquele que se diz escravo ou servidor de Cristo, é também, mesmo a contragosto, escravo da Virgem Maria. Ou, seria correto pensar, que Jesus, Nosso Rei e Salvador, hesitaria em fazer a Sua Mãe participante de Seu Reino de amor? Claro que não, pois se nós, que somos filhos ingratos, prezamos por nossa mãe, e as temos como grande tesouro, quanto mais Jesus, o mais perfeito Filho!
            Podemos dizer com Montfort: “Tudo o que convém a Deus por natureza, convém a Maria por graça...”. Segundo esse ensinamento, Jesus e a Virgem Maria têm os mesmos súditos, servos e escravos, visto que os dois não têm senão uma só vontade e um só poder (TVD, art. 74). Isso porque, Jesus Cristo escolheu a Santíssima Virgem por companheira indissolúvel, cumulando-A de graças, direitos e privilégios que Ele possui por natureza. Assim, o poder que tem a Virgem Santa sobre nós é concedido pelo próprio Cristo e Senhor, por reconhecimento dos méritos e virtudes de Sua Mãe Santíssima e também pelo imenso e incalculável amor que tem por Ela. 
          Por último, é importante saber que o ofício da Rainha dos Céus, Maria Santíssima, não é outro senão levar os Seus escravos amorosos até Seu Divino Filho, pois é Ele o fim último da Verdadeira Devoção a Nossa Senhora. Por esse motivo é que São Luis Maria G. de Montfort diz: “Se não querem que alguém se diga escravo da Santíssima Virgem, que importa? Que se faça e se diga escravo de Jesus Cristo” É o mesmo que sê-lo da Santíssima Virgem, visto que Jesus é o fruto e a glória de Maria (Cf. TVD, art. 77).

Seja você também um escravo de amor de Jesus Por Maria Santíssima!
CONSAGRA-TE!


*Para aprofundar-se ainda mais nos conhecimentos sobre a Consagração ensinada por São Luís Maria Grignion de Montfort, você pode adquirir o Manual de Consagração: Totus Tuus! Deus e a Santíssima Virgem o abençoem!
Mais informações: Totus Tuus

Referências:

IGREJA CATÓLICA. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2000.
MONTFORT, São Luís Maria Grignion de. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2002.


Veja também:





Maria Cristina é membro aliança nível 2, casada e mora no Condomínio Mãe de Deus.