terça-feira, 26 de julho de 2011

Modelos de santidade


       Várias ilusões a respeito de santidade, para alguns o numero ou duração das orações, praticas exteriores, obras, isolamento, exercícios, confrarias... Não é só isso, porém tudo isso são meios de adquirir santidade. Toda devoção nos aproxima de Deus, tornamos decididos no serviço dele. Muitas são as invocações a nossa Senhora: das dores, da Paz, dos Pecados, etc.
            Não podemos adotar tudo, temos que escolher a melhor para a santificação pessoal e alheia. Viver o carisma que Deus nos confiou, precisamos de uma devoção que nos liberte do mundo, da carne e nos conduza ao conhecimento de si e de Jesus e Maria. A Santa escravidão de amor é um segredo que poucos vão descobrir, para alguns caminho de conversão, para outros perfeição. Tem que ser afetiva e efetiva
Três idéias de santidade:      
Santa Teresinha: Abandono filial, infância espiritual, bondade;
Santa Margarida: União amorosa, união com o coração de Jesus, amor desprezado e espiritual;     
São Luis Maria de Montfort: Dependência total, escravidão por amor, apóstolo, servo.
Qual o seu modelo?
Bases das santidades descritas acima:
1- abandono total a pessoa que ama, filial, suave abandono, humildade;       
2 - união da vontade a pessoa que ama, amorosa, íntima, união perfeita;              
3 - dependência completa a pessoa que ama, radical, humilde, dependência.
            Santa Teresinha do Menino Jesus - Infância espiritual, humildade de espírito, vontade e coração, nada é, e nada pode ser aceita com humildade e calma, amar a humilhação, ser pequeno. "O que agrada a Deus é minha pequena alma, ver que amo a minha pequenez e minha pobreza, é a esperança cega, que tenho em sua misericórdia”.
            Santa Margarida Maria Alacoque - mesmo caminho com outro ponto de vista, uma união amorosa. Em 1674 houve a aparição do Coração de Jesus: “até então tomaste o nome de escrava, agora sois discípula querida do meu coração”.
1688 – “Enfim és inteiramente minha, vives para fazer tudo o que eu desejar, minha filha, minha esposa, minha escrava, minha vitima, dependente do meu coração”.
            O termo escravo e a expressão completa adequada a sua entrega. Escravidão, confiança, perfeita harmonia.
            São Luis Maria de Montfort - Há duas criaturas que vivem sobre o poder de outrem, comparando: A criança e o escravo; a criança: impotência radical, tudo depende e o escravo: não se pertence, é um bem do senhor.
Santa Teresinha: Pequenina para atrair o olhar de Jesus, Santa Margarida: Pequenina para perder-se coração de Jesus e Montfort: Pequeno para ser propriedade de Jesus.
            Os três querem pertencer a Jesus, unir-se a ele, viver n'ele e d'ele procuram abaixar-se, humilhar para serem elevados, cada um escolheu um termo próprio, que combinasse com seu Espírito: Subir no colo de Jesus, infância espiritual: apóstola da bondade; Penetrar o coração de Jesus, imolação amorosa: apóstola do coração de Jesus e Segurar os pés de Jesus, zelo apostólico: apóstolo de Maria.
            São Luis de Montfort diz concentra-se na devoção a virgem Maria, saudando-a Rainha dos corações, porém o fim último é sempre Jesus, São Francisco Sales diz: Jesus e Maria eram duas pessoas, um só coração, uma só alma, um mesmo Espírito, uma mesma vida, São Paulo disse: Não sou eu que vivo, Cristo vive em mim, o escravo de Maria, também diz, um está no outro, é Maria que vive em mim.
            O segredo de Maria, não é teoria, e sim prática, consiste em entregar-se e fazer tudo em, com, por e para Maria, a fim de melhor fazê-los para Jesus. Consagrar-se a Virgem como escravo é um ato, qualquer um pode fazer, muitos fazem, sem depois aplicar-se para viver esta consagração, quanto mais vivemos, mais descobrimos este segredo, a escravidão não é uma devoção, é um meio de santificação, ainda pouco praticado. Qual a forma mais perfeita? Depende da disposição de quem adotá-la, é a que mais intimamente nos une a Cristo. Entregar-se para trabalhar, sofrer pelo outro, é heróico, a escravidão encerra tudo que as outras devoções têm de mais elevado,
Os graus da santa escravidão:
      Depende da generosidade do escravo: 1º Grau simples consagração, 2º grau tomar Maria como modelo, 3º grau vida de intimidade com Maria e 4º grau hábito adquirido.
            1º grau: Consagrar o valor de nossas boas obras, satisfatório, impetratório, trabalhar para ela, fim próximo, para Deus fim vitimo, dependência, confiança, abandono. Desprezo de nós mesmos e do mundo, tudo por Maria, para Maria
          2º grau: Viver com Maria, em Espírito e disposição de imitá-la segundo suas forças, virtudes da Vigem Maria. Profunda humildade, fé viva, obediência cega, contínua oração, mortificação universal, pureza divina, ardente caridade, paciência heróica, doçura angélica e sua sabedoria divina.
Aprendamos com ela a trabalhar, orar, sofrer, perguntar: doce mãe, o que devo fazer?, Se for sua vontade. Estes dois primeiros graus, todos podem fazer.
            3º grau: Em Maria renunciar-se a si mesmo e esconder-se no seu coração para orar, trabalhar, sofrer, em sua companhia, em suas intenções, com seus sentimentos, tudo sob sua total dependência. E morrer não só o corpo é morrer o orgulho, a sensualidade, a comodidade, o egoísmo, a independência. Renúncia é sacrifício, é mortificar-se, é infiltrar sua vida com a vida dela, substituir sua existência pela dela. Não viverão mais Maria viverá nelas!
Muitos estacionarão aqui, experimentarão períodos na graça...
            4º grau: Fixar-se aqui, de um ato para um hábito. Facilidade de fazer atos. E ter uma segunda natureza, ser dependente, dominado, submisso, obediente, escravo, perdermo-nos sem reservas no interior de Maria. Por onde começar? Tendo uma idéia verdadeira da Santíssima Virgem, estudar suas virtudes, sua relação com Deus e com os homens, considere-a como mãe de Deus, nossa mãe, só se ama o que se conhece, conhecer é dever do consagrado.
Os tipos de dependência:
            Servo: Trabalha na família, defende os interesses da casa, têm férias, 13º salário, trabalha cumprindo horários; Filho: Goza de proteção, educação, herança, obedece, honra, trabalha para si, sem salário, caminho de salvação; Escravo: Depende, sem direito, sem salário, sem horário; Apóstolo: Convicção e entusiasmo de divulgar, anunciar, caminho de santidade;
Discípulo: Seguidor, testemunha, vivenciou; Vítima: Sofre junto, vida comum, sem reclamar, gosta, sofre por amor; Esposos espirituais: Almas escolhidas, Santos Hermano José, São Luis La Dulme, Santo Edmundo, São Bernardino, São João Eudes, São Fulberto, São Domingos...
Coisa: Algo comprado, guardado; Amigo: Bem relacionado de um senhor.
        Aprovação da Igreja, sua prática entra plenamente no Evangelho, o fim é a humildade, renúncia, sacrifício, é o amor mais ardente da Mãe de Deus pela Igreja. Montfort explica que não é só uma leitura do livro. O segredo é a pratica desta devoção! Existem segredos para as operações naturais, existem também para as sobrenaturais e espirituais, praticada e apreciada por um pequeno numero, desconhecida pelos mais devotos.
            Estimulada por vários Papas: Clemente VIII, Gregório XV, Urbano VIII, Clemente XI, Alexandre VIII, Pio IX, escritos isentos de erros, Pio X concedeu benção apostólica para quem lesse o Tratado, associação e Arquiconfraria, Bento XV. Pio XII canonizou São Luís de Montfort, Leão XIII o Beatificou, João Paulo I e João Paulo II inseriram-o no calendário Romano.
            Os Santos que viveram a Escravidão de Amor: Odilon, Abade Cluny, São Luis Marinho, Santa Margarida, Santa Inês, Santa Catarina Cartona, Montfort, Santo Cura D'ars, Santa Terezinha, Santa Matilde, Santa Goretti, São Domingos, São Bernardo, Frank Duff, Edelkin, Santo Idelfonso. E ainda alguns líderes da igreja militante: Pe. Jonas, Pe Roberto, Pe Antonello.
            Montfort foi o organizador, grande Apóstolo divulgador e anunciador da consagração, diz que leu e conversou com quase todos os Santos e sábios da época, não havia nada comprável a Santa escravidão. A doutrina precisava ser simplificada, com fórmulas claras e certas, para ficar ao alcance de todos, ele eliminou o que era abstrato e impreciso, e organizou na forma de tratado, o Tratado da Verdadeira Devoção, uma escola de santidade. Existem falsas e verdadeiras devoções: Falsas composta por devoções críticas, escrupulosas, exteriores, presunçosas, inconstantes, hipócritas, interesseiras e as verdadeiras que são interiores, ternas, santas, constantes e desinteressadas.
Tipos de comprometimento:
            1º Cumprir os deveres de cristão, evitar o pecado mortal, agir por amor, temor, rezar a Virgem sem nenhuma devoção especial, 2º Mais sentimentos de estima, mais amor, compromisso, entrar em confrarias, publicar louvores entrar nas congregações, 3º Escravidão de amor: Fazer tudo com, em, por, para Maria, professar votos de pobreza, castidade, obediência, entrega dos seus bens espirituais.
            Consagrar a Virgem Fiel o nosso corpo com seus sentidos (tato, paladar, olfato, audição, visão), a alma, o Espírito, os bens interiores, valores impetratrório, satisfatório, meritório e os bens exteriores, casa, fortuna, família, trabalho.
Em síntese é entregar tudo sem reservas a Virgem Maria!
            A preparação para a consagração consiste em: Libertar-se do mundo,conhecimento de si mesmo, conhecimento de Jesus e de Maria Santíssima. Escolher uma festa Mariana, escrever a carta com a fórmula da consagração e numa celebração Litúrgica professar a sua total dependência filial para com a Mãe de Deus, e renová-la anualmente. Não é uma simples canção, não é um momento, é uma Espiritualidade, uma forma de viver, tudo com ela, neta, por e para ela, para maior glória de Deus.


Referências:
MONTFORT, São Luís Maria Grignion de. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2002.
LOMBAERDE, Pe. Júlio Maria de. O Segredo da Verdadeira Devoção para com a Santíssima Virgem, segundo São Luís Maria Grignion de Montfort. Anapólis, GO: Edições Santo Tomás; Fraternidade Arca de Maria; Aliança Missionária Eucarística Mariana, 2005.

Para citar esse artigo:
César Mariano - "Modelos de santidade"
Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus
http://consagracaomontfortina.blogspot.com/2011/07/modelos-de-santidade.html
Online, 26/07/2011




César Mariano
Fundador da Fraternidade Discípulos da Mãe de Deus,  Coordenador Geral, Médico, Casado, 02 filhas.

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